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Segurança Pública: política pública de ressocialização de jovens

O CLP conversou com Camila Barbosa Neves sobre os desafios para a segurança pública no Brasil. Ela atua no Atendimento Socioeducativo da Secretaria de Segurança Pública do Estado de Minas Gerais, onde lida diretamente com a ressocialização de jovens. Camila também é líder MLG. Confira como foi a conversa.

“Esse é um grande desafio porque, para além da atuação do Estado dentro do sistema prisional, a sociedade precisa ser parceira para dar uma segunda chance a essas pessoas.”

Qual é o principal desafio no campo da segurança pública no país hoje?

A desigualdade social que acaba refletindo na falta de educação. Além disso, as políticas repressivas têm um certo limite de atuação se não forem combinadas com desenvolvimento econômico, igualdade social e educação.

Como os gestores devem enfrentar esse problema?

A minha experiência é voltada tanto para o sistema prisional, quanto para o sistema socioeducativo, que é o tratamento da questão após o cometimento do delito ou do ato infracional. No caso dessas políticas, acredito que o que o Estado tem que fazer é investir na qualificação do atendimento para garantir que essas pessoas sejam encaminhadas a espaços onde, para além do caráter punitivo de restrição de liberdade, elas possam se desenvolver enquanto seres humanos e cidadãos e ter outra perspectiva. Esse é um grande desafio porque, para além da atuação do Estado dentro do sistema prisional, a sociedade precisa ser parceira para dar uma segunda chance a essas pessoas.

Que iniciativas Minas Gerais tem implementado nesse sentido?

Na Subsecretaria eu lido com adolescentes em conflito com a lei que cometeram algum ato infracional. O que a gente está fazendo agora é qualificar o máximo que a gente pode o nosso corpo técnico, justamente para conseguir cumprir os eixos que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) propõe de educação, saúde, esporte, lazer, cultura, profissionalização e aproximação com a família. Então a gente investe para conseguir romper com a trajetória infracional desse adolescente para que ele possa virar um cidadão que contribua para o modelo de sociedade que temos.

Já é possível avaliar resultados?

Esse é um trabalho que o Estado vem desenvolvendo desde a década de 90, com o ECA. Os resultados desse tipo de política são difíceis de avaliar porque eles dizem de uma condição muito além do intramuros de uma internação sócio-educativa. Eles dizem realmente de uma mudança de sociedade, o que torna complicada uma avaliação efetiva. Mas a gente sabe que, em muitos casos, conseguimos romper com a trajetória de crimes de muitos adolescentes.

 

Você também atuou no Maranhão. Os desafios da segurança pública lá são diferentes?

Os desafios são diferentes porque cada realidade requer um jogo de cintura diferente. Mas, de uma forma geral, a gente está lidando com uma população que vive às margens da sociedade e da lei. O nosso desafio é incluir essas pessoas tanto com políticas públicas, que falharam, mas também com a responsabilização e reconhecimento de que é preciso andar dentro do que a lei propõe.

 

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Qual a influência de uma formação para a liderança para trabalhar nessa área?

Nós tendemos a pensar que os desafios de um gestor são da ordem técnica, de conhecer sobre política e obter soluções “mágicas” para resolver, por exemplo, o problema da segurança pública e do sistema prisional. Mas, na verdade, os desafios têm muito mais a ver com o dia-a-dia, capacidade de motivar e direcionar a equipe em prol de um foco específico. Nesse sentido, ter a capacidade de liderança nos desperta para olhar para as pessoas que trabalham na nossa equipe. A formação nos ajuda a entender que se o gestor não tiver todo mundo caminhando com ele, qualquer mudança fica muito difícil. Sozinho um gestor não faz nada.

Camila Barbosa Neves é graduada em Administração Pública e tem pós-graduação em Gestão Estratégica do Setor Público. Fez mestrado em Administração Pública pela Queen Mary University of London. Atuou como Subsecretaria de Administração Penitenciária do Estado do Maranhão. Atualmente é Subsecretaria de Atendimento Socioeducativo na Secretaria de Estado de Segurança Pública de Minas Gerais.

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